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Liderança e sucessão

Todo mundo concorda no feedbacke nada muda depois

Quando a conversa termina bem demais, em geral ela não aconteceu. O que falta não é técnica de feedback: é consequência combinada e acompanhada.

Por Luana Duvaresch 6 de agosto de 2026 5 minutos de leitura

A conversa foi ótima. O gestor preparou, falou com cuidado, deu exemplo. A pessoa ouviu, concordou com tudo, agradeceu pela franqueza. Os dois saíram da sala com a sensação de dever cumprido. Três meses depois, está tudo exatamente igual — e agora ninguém sabe como voltar ao assunto sem parecer perseguição.

Eu vejo isso com frequência, e quase sempre a empresa conclui que o gestor precisa de mais treinamento de feedback. Raramente é o caso.

A conversa que termina bem demais

Concordância rápida é o sinal mais confiável de que a conversa não pegou.

Quando alguém recebe uma devolutiva que realmente mexe, a reação natural não é concordar — é hesitar, discordar em parte, pedir exemplo, defender o próprio raciocínio. Isso é bom sinal: quer dizer que a pessoa entendeu que aquilo tem consequência e está processando.

A concordância imediata, ao contrário, costuma significar uma de três coisas: a pessoa não entendeu o que exatamente deveria mudar; entendeu e discordou, mas não achou seguro dizer; ou percebeu que aquela conversa não teria desdobramento nenhum e o caminho mais barato era concordar e seguir a vida.

Feedback sem consequência combinada é opinião com hora marcada.

O que costuma faltar não é técnica

O gestor em geral sabe dar a notícia. O que falta vem depois dela:

  • O que muda, em comportamento observável. "Precisa se posicionar mais" não é mudança: é adjetivo. "Nas reuniões de planejamento, trazer sua recomendação antes de eu pedir" é mudança, porque dá para ver acontecendo.
  • Até quando. Sem prazo, o assunto fica em aberto para sempre, e ninguém sabe em que momento ele volta.
  • Como os dois vão saber que mudou. Combinado antes, não avaliado depois pela impressão de cada um.
  • O que acontece se não mudar. A parte que quase ninguém diz — e que é justamente o que transforma a conversa em algo real, inclusive quando a consequência é boa.

Três perguntas que fecham a conversa

Um jeito simples de não sair da sala com uma concordância vazia é terminar com estas três, feitas pelo gestor, respondidas pela pessoa:

  • O que você entendeu que precisa ser diferente? Se a resposta vier com as palavras do gestor, repetidas, ainda não chegou.
  • O que disso depende de mim ou da empresa? Metade dos combinados que não acontecem dependiam de uma decisão que o gestor não tomou.
  • Quando a gente volta a essa conversa? Com data marcada na hora — não "vamos nos falando".

Por que isso é conversa de resultado

Quando o feedback não pega, o problema não fica onde estava: ele sobe. O gestor passa a contornar a pessoa, redistribui o que era dela para quem responde melhor, e o time inteiro percebe que ali existe um combinado que não vale. A partir daí, cada nova cobrança feita àquele time custa mais caro.

E vale lembrar que 70% da variação no engajamento de uma equipe é explicada por quem a lidera. A rotina de cobrança e devolutiva de um gestor não é detalhe de estilo: é a variável com mais alavanca sobre o que o time entrega e sobre quem fica.

Fonte: Gallup · 27 milhões de trabalhadores.

Feedback não é o evento em que a notícia é dada. É a rotina em que o combinado é acompanhado até virar outra coisa.

Luana Duvaresch

Luana Duvaresch

Psicóloga organizacional, consultora e mentora. Mais de quinze anos em cadeira executiva de RH e gestão, em famílias industriais, multinacionais e startups de alto crescimento. Conecta o que acontece com as pessoas ao que acontece no negócio.

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